sexta-feira, 4 de março de 2011

O Juventus de todos os tempos

No dia 30 de abril de 1985 o jornal A Gazeta Esportiva publicou o resultado de uma pesquisa com torcedores e jornalistas que escalaram a seleção de todos os tempos do Juventus.

Essa reportagem foi relembrada por Luciano Ubirajara Nassar durante os levantamentos para o livro Julinho Botelho, um Herói Brasileiro, lançado pela editora Expressão e Arte. É claro que Julinho, um dos maiores pontas da história do futebol brasileiro, está na lista.

Vamos à seleção de todos os tempos da Gazeta Esportiva. A lista, relembrando, é de 1985, portanto não concorreram craques da bola como Márcio Griggio, Fernando Diniz, Wellington Paulista, Johnson, Elias, Rogisvaldo etc. E, como não poderia deixar de ser quando se trata de Juventus, a lista possui aspectos curiosos.

O que estiver entre aspas é descrição feita por Luciano Ubirajara Nassar.

"No gol o arqueiro MIGUEL, ágil, determinado, alto, com perfeita colocação e reflexos apurados" - Miguel foi goleiro do Juventus no começo dos anos 70 e depois transferiu-se para a Portuguesa, onde foi campeão paulista em 1973, naquele título dividido com o Santos após Armando Marques se confundir na contagem dos pênaltis.

"Na lateral-direita, NÉLSON, jogador eficiente, competente, responsável e com espírito de liderança". O Nélson em questão é o Nelsinho Baptista, campeão da Taça de Prata em 1983.

"Como zagueiro, o poderoso DITÃO, com a sua garra e vontade de vencer". Esse não tem erro, é o famoso Ditão, que também marcou época no Corinthians.

"Na quarta zaga, o fino e elegante LEIZ. Sabia sair jogando com a bola dominada e de cabeça erguida, enxergando todo o jogo. Ótimo no cabeceio e na antecipação.". Leiz também fez parte do elenco campeão da Taça de Prata de 1983.

"Na lateral esquerda, o talentoso e perfeito marcador ALFREDO RAMOS". Ganhou o apelido de Polvo e atuou no São Paulo, Corinthians e Santos, defendendo a Seleção na Copa de 1954. O engraçado da história é que não achei nenhum dado sobre ele ter jogado no Juventus.

"No meio-de-campo, o incansável e inteligente LIMA. Que de tão craque e versátil, jogava em qualquer posição com a mesma facilidade e talento". É esse aquele Lima, o Curinga do Santos do Pelé.

"Na ponta-de-lança, o craque RENATO com a sua habilidade e técnica apurada". Trata-se de Renato Violani, que também foi ídolo na Portuguesa.

"Como meia ofensivo PINGA II, jogador talentoso, rápido e que sabia fazer gols". Este é Arnaldo Robles, que jogava junto do irmão Pinga.

"No comando de ataque, o craque LANZONINHO com a sua velocidade, técnica e valentia para se infiltrar com a bola dominada nas zagas adversárias (...) Rei da raça, lutava durante o jogo todo e concluía muito bem a gol". Lanzoninho também era ponta, mas neste time está jogando no ataque. Em 1957 marcou os dois gols do título pernambucano do Santa Cruz, o maior da história daquele clube e atingiu sua consagração.

"Na ponta-esquerda, ZIZA, com a sua habilidade,seus dribles curtos, sua velocidade e sua inteligência." Ziza é sobrinho do Pinga II, meia armador desta seleção.

"Na ponta-direita, o genial JULINHO, o hreói de um novo tempo. Foi um dos melhores jogadores do mundo, que se tem notícias. Em apenas seis meses, Julinho assinou seu nome nas páginas de ouro do Juventus." Julinho Botelho dispensa comentários. O maior jogador da história da Fiorentina começou sua carreira profissional no Juventus, de onde partiu para a glória.

O técnico eleito para dirigir esse time dos sonhos foi CANDINHO, que levou o Moleque Travesso ao título do Brasileiro de 83, o mais importante da história do clube até hoje.




A lista vista hoje, 25 anos depois, é um pouco estranha aos meus olhos juventinos. Apesar de recheada de atletas de inegável talento, não tem nomes de jogadores mais identificados com o clube como, por exemplo, os irmãos catanduvenses Brida e Brecha, Buzzone, Ataliba e Clóvis Nori. Para o gol, por motivos sentimentais de torcedor, a dúvida é entre Félix ou Mão de Onça.

Seria essa a hora de escalar outra seleção do Juventus de todos os tempos?

5 comentários:

  1. bela ideia.
    vamos fazer uma nova eleição.

    Brida, Brecha, gatãozinho, Clovis, Edvaldo.

    merecem estar nela

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  2. Poxa me remeti aos tempos de criança qdo comecei a ir na Javari, não entendia nada mas lembrei de nomes como Gatãozinho, Leiz, Ataliba, Nelson e Candinho

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  3. Sou Klébi Nori, filha de Clóvis Nori, quero marcar meu comentário com minha absoluta surpresa com relacão a ausência do nome de meu pai na tal da "lista" que mesmo tendo sentenciado há muitos anos essa exclusão,pelo jeito ainda repercute em discussões juventinas. Todos sabemos que meu pai, sem despretigiar outros grandes jogadores da esquadra grená, foi o tipo de atleta completo que mereceu o título de professor" e da mesma forma um busto na Javari. Ele é quem deveria ter feito essa lista. É um dos eternos representantes do Moleco Travesso.

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  4. Klébi, seu comentário é perfeito!

    Realmente é um grande absurdo terem esquecido o nome do seu pai!

    Infelizmente eu apenas reproduzi no post a lista tal e qual saiu no jornal A Gazeta Esportiva em 1985.

    Eu acredito que qualquer lista que não possua o nome de Clóvis não deve ser levada a sério.

    E me proponho a ouvir os torcedores para fazer uma lista nova e LEGÍTIMA!

    Um abraço,

    Hamilton
    Blog Manto Juventino

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  5. Voce tem razão Klebi, uma lista sem o "Professor", não é digna de confiança. Alem de Clovis, eu ainda colocaria: Zeola, Rodrigues Tatu, Buzzone.
    Abraços
    William

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